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Saga renovada

Entenda a polêmica do novo Star Wars

Os três filmes ligados à saga lançados desde que os estúdios do Mickey compraram LucasFilm não têm um tom unificado
09/01/2018 17:43 10/01/2018 00:19

ALERTA DE SPOILER. NÃO LEIA SE NÃO QUISER CONHECER DETALHES DO EPISÓDIO 8, FILME AINDA EM CARTAZ


Reprodução
Imagem de divulgação de Star Wars - Os últimos Jedi
Que a franquia Star Wars está rendendo, já rendeu e ainda vai render bilhões para a Disney ninguém pode duvidar ou questionar. Desde que os estúdios do Mickey compraram a LucasFilm, já fomos brindados com Episódio 7 - O Despertar da Força (2015), Rogue One - Uma aventura Star Wars (2016) e Episódio 8 - Os Últimos Jedi (2017). Vêm aí Han Solo: Uma História Star Wars (2018) e o Episódio 9 (2019), com pelo menos mais uma trilogia de spin-offs projetada depois disso. Nesse andar, com um título novo ao ano, a Disney vai lançar em apenas seis anos a mesma quantidade de títulos que George Lucas, o criador original, levou 28 anos para produzir na saga. De artesanal, a coisa virou industrial.

Resta saber quando, neste ritmo de linha de montagem, a Disney vai conseguir calibrar o produto que está despejando no mercado. A reação de fãs varia muito, desde o deslumbre absoluto até a indignação total, mas é preciso ponderar que a Disney parece ainda não ter decidido qual fórmula aplicar. Este parece ser um dos problemas na base de uma certa polêmica do novo filme. Nos EUA, rolou até petição para tirar Os Últimos Jedi do cânone de Star Wars. O próprio Mark Hamill (Luke Skywalker), em entrevista anterior ao lançamento do filme da qual já se arrependeu, disse que haveria outros caminhos para a saga que poderiam ter sido tomados.

O Despertar, em 2015, foi bem recebido por críticos e muitos fãs, mas tinha vários problemas de coerência e mesmo de concepção. Apesar disso, era uma história bem contada. Rogue One, mesmo sem ser oficialmente parte da saga principal, tinha ritmo e parecia mais integrado à temática da série, só que padecia de uma espécie de síndrome de videogame, cheio de sequências de CGI com personagens antigos. Já Os Últimos Jedi, a produção atualmente em cartaz, passa boa parte de seus longos 152 minutos eliminando mancadas ou contradições do filme de 2015.

ATENÇÃO, DAQUI PARA FRENTE TEM SPOILERS

Os Últimos Jedi elimina o vilão Snoke, que em O Despertar surgia como uma espécie de Palpatine genérico, mas agora seguiu o mesmo destino do Imperador em O Retorno de Jedi. A máscara de Kylo Ren também parece ter seguido o caminho dos midi-chlorians.

Ainda, o filme em cartaz dá uma simplificada nas coisas. Se o Episódio 7 e Rogue One eram repletos de relativizações sobre o bem e o mal, com vilões que se regeneravam e mocinhos que mostravam inesperadamente facetas sombrias, Os Últimos Jedi termina com bem e mal bem estabelecidos. Até a relação de oprimidos e opressores se define melhor. No Episódio 7, não dava para entender quem dominava a Galáxia, se a República ou a Primeira Ordem, e quem era a força militar dominante. Agora, tem vilões e tem mocinhos, e só. 

Talvez seja injustificado o protesto de alguns fãs que reclamam que Os Últimos Jedi desrespeita o cânone de Star Wars. O filme mostra um final digno para Luke Skywalker, em que pese o tom meio fora do personagem para algumas cenas. Até o humor de algumas cenas andou desagradando fãs, mas ele não está tão fora do espírito irreverente de episódios anteriores. Até a Força é melhor retratada agora do que no filme de 2015. O problema do Episódio 8 não é a destinação dada à saga ou a concepção dos personagens. Nisso, ele se sai até melhor que o Episódio 7.

Um dos defeitos de Os Últimos Jedi já estava lá no filme de 2015. Ele não é, ao contrário dos filmes de George Lucas (mesmo os ruins), grandioso. O filme é pequeno. Há pouca ação em tomadas panorâmicas (há muita paisagem, mas a maior parte da ação acontece em ambientes fechados ou pequenos). Os grupos de personagens são tão limitados quanto os ambientes. O núcleo dos vilões tem, basicamente, três personagens. O dos heróis, um pouco mais. Mas a Resistência inteira já cabe na Falcon Millenium.

O problema principal, porém, é que o filme de Rian Johnson está longe de ser um primor de narrativa. Não tem um clímax definido, só várias catarses que parecem nunca levar a lugar algum. Todos os mocinhos têm pelo menos uma sequência inteira na qual salvam o dia (o robozinho BB8 incluído), e até Kylo Ren brilha como herói uma vez, antes de voltar aos pitis que parecem definir o personagem. Coisa pessoalmente inédita para o blogueiro num filme de Star Wars, Os Últimos Jedi cansa.

Obviamente, as altas bilheterias mostram que qualquer falha de roteiro é relativa, e que só a força (sem trocadilho) do nome Star Wars e a memória afetiva dos fãs já bastam para levar legiões às salas de projeção. A saga, afinal, é feita para os fãs e para o grande público, não para os críticos ou os chatos. O estúdio do Mickey sabe disso melhor do que ninguém. E, lembremos mais uma vez, a Força agora está com a Disney.

Pelo menos ainda não trouxeram de volta Jar Jar Binks.


Correio de Gravataí

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por André Moraes
andre.moraes@gruposinos.com.br

Assim como na tradicional coluna semanal de variedades do jornal ABC Domingo, o XYZ fala de cinema, tevê, quadrinhos, nostalgia e assuntos da cultura pop em geral. Informação e curiosidades com um toque de humor.

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